Gruppo di lavoro aperto che studia le eredità storiche degli ideali illuministi, repubblicani, socialisti e anarchici nelle prospettive del rapporto arte società, arte didattica, arte filosofia, arte e territori

Colectivo multidisciplinar que estudia la herencia histórica de los ideales ilustrados, republicanos, socialistas y anarquistas y sus perspectivas en la relación entre arte y sociedad desglosadas en tres áreas de interés: arte-didáctica, arte-filosofía y arte-territorio.

Direito à Cidade, Urbanismo e Anarquismo: uma análise teórica

“O Impacto das políticas urbanas em Lisboa: gentrificação, especulação imobiliária e o direito à cidade. Dois casos de estudo”

“Direito  à  Cidade,  Urbanismo  e  Anarquismo:  uma  análise  teórica”

di Mario Rui Pinto

A  nossa  apresentação  é  composta  por  duas  partes  intercaladas:

• A   primeira   incide   no   impacto   de   duas   políticas   públicas   específicas   na   cidade  de   Lisboa,   tendo   em   conta   os   processos   de   gentrificação   e   especulação  imobiliária  gerados,  bem  como  aquilo  que  se  pode  considerar  uma  negação  ao  Direito  à  Cidade,  no  sentido  atribuído  por  Lefebvre;

• A   segunda   incide   na   relação   existente   entre   Direito   à   Cidade,   Urbanismo   e  Anarquismo,  já  numa  abordagem  teórica  e  histórica.

Apenas  para  quem  não  conhece  Lisboa  e  para  se  ter  uma  ideia  da  sua  escala,  antes  de  entrarmos  propriamente  nas  questões  que  nos  trazem  aqui, importa  dizer  que  a  Área  Metropolitana   de   Lisboa   vai   muito   além   do   centro   da   cidade.   Ocupa   um   território  com  cerca  de  3000  km2,  composto por  18  municípios,  onde  vivem  cerca  de  2.600.000  pessoas.

Só   no   município   de   Lisboa,   segundo   os   últimos   Censos,   vivem   perto   de   550.000  pessoas.  Ou  seja,  actualmente  o  município  de  Lisboa  concentra aproximadamente  1/5  da  população  total  da  Área  Metropolitana,  o  que  nem  sempre  foi  assim.  As  dinâmicas  e  movimentações  urbanas  têm  variado  ao longo  do  tempo  em  função  principalmente  das  políticas  urbanas  adoptadas,  da  transformação  da  própria  sociedade  e  dos  estilos  de  vida,  mas  também das  tendências  e  interesses  imobiliários.     As   duas   políticas   que   vamos   apresentar   conduzem   e   conduziram   a   processos   de  gentrificação   massivos:   a   primeira   política   é   o   Programa   Especial   de   Realojamento,  que   teve   início   em   1993   com   a   publicação   do   respectivo   Decreto-­‐Lei,   voltada   para   o  fim   dos   chamados   bairros   de   barracas   ou   bairros   informais,   como   geralmente   são  designados;  a  segunda  política  é  o  Novo  Regime  de Arrendamento  Urbano,  que  inicia  em  2012  também  após  a  publicação  da  respectiva  lei.

(1)   Programa  Especial  de  Realo jamento

BREVE ENQUADRAMENTO

O   Programa   Especial   de   Realojamento   nasce   da   necessidade   política   de   resolver   o  problema   dos   bairros   degradados   localizados   às   portas   de   Lisboa,   que   se   vinham  desenvolvendo   desde   o   final   dos   anos   70   devido   sobretudo   ao   afluxo   de   imigrantes  após   a independência   das   ex-­‐colónias   em   África.   Num   primeiro   momento,   estes  bairros   cresceram   sobretudo   em   zonas   periféricas,   em   terrenos   do   Estado   ou   de  privados, mas  foram  ocupando  gradualmente  zonas  mais  centrais.     Mais  uma  vez,  para  termos  uma  ideia  da  escala,  uma  autora,  Teresa Salgueiro,  refere  que   cerca de   16500   famílias   viviam   em   barracas   na   Área   Metropolitana   de   Lisboa   no  início   dos   anos   80.   Para   além   do   município   de   Lisboa,   o   maior   número   de   barracas   concentrava-­‐se  e  concentra-­‐se  nos  municípios  da  Amadora,  Loures  e  Oeiras.   A  dimensão  do problema  contribuiu  nos  anos 90  para  um  consenso  político  alargado  relativamente   à   necessidade   de   uma   política   de   habitação   e   de   uma   intervenção   do  Estado   forte   nestas   matérias.   Por   outro   lado,   há   que   não   esquecer   que   Lisboa   foi  classificada  internacionalmente  em  1994  a Capital  Europeia  da  Cultura  e  que  em 1998  ia   receber   a   Exposição   Mundial   dedicada   aos   oceanos,   portanto   era   de   todo   o  interesse   mudar   o   rosto   dos   bairros   que   circundavam   a   cidade   de   Lisboa.   A   somar   a  estas  pressões  havia  ainda  a  pressão  urbanística  sobre  espaços  que  nos  anos 70  eram  periféricos   e   que   nos   anos   90   se   tornavam   centrais   face   ao   desenvolvimento   da  cidade  e,  por  isso,  estratégicos  do  ponto  de  vista imobiliário.

O  Programa  Especial  de  Realojamento  tem  como  objectivos  centrais:

• acabar  com  as  chamadas  barracas,  ou  seja,  com  os  bairros, contando  para  isso  com   o   forte   envolvimento   dos   municípios,   que   logo   em   1993   fizeram   o  levantamento  das  famílias  abrangidas  pelo  programa;

• e  potenciar  uma  mudança  do  estilo  de  vida  dos  moradores.

Aquando   a   elaboração   do   programa,   as   barracas   eram   entendidas   como   uma   chaga,  uma   ferida   aberta,   cuja   solução   passava   pela   demolição   total   e   pelo   realojamento  massivo   das   pessoas   que   habitavam   estes   bairros,   estabelecendo-­‐se   uma   relação  directa   entre   as   condições   de   habitação   degradadas   e   o   aumento   da   criminalidade.  Como   sabemos,   esta   percepção   não   é   exclusiva   do   contexto   português   mas  manifesta-­‐se   nesta   altura   em   vários   países   da   Europa,   como   mostra   o   Quarto Programa de  Bases  da  Comissão  da  Comunidade  Europeia  de  1994.   As expectativas em  relação  ao  Programa  Especial  de  Realojamento  eram  altas,  mas  as  críticas   não   tardaram   em   chegar.   Construíram-­‐se   conjuntos   habitacionais   de realojamento   em   zonas   periféricas,   geralmente   distantes   da   residência   anterior,  isolados,   despersonalizados,   com   fraco   envolvimento   das   pessoas,   os   problemas  sociais   agravaram-­‐se,   perderam-­‐se   as   fortes   relações   de   vizinhança   e   entreajuda   que  existiam  após  o  realojamento.   Este   processo   ainda   não   acabou.   Alguns   bairros   foram   demolidos   mas   outros permanecem   numa   situação   de   impasse   22   anos   depois   a   publicação   do   Programa  Especial   de   Realojamento.   Os   realojamentos   continuam   a   ter   como   base   os  levantamentos   realizados   pelos   municípios   em   1993.   Obviamente   que   passados   22  anos,   as   famílias   cresceram,   quem   era   uma   criança   em   1993   tem   hoje   filhos   e   por   aí  em  diante.     Um  dos bairros  que  se  encontra  neste  momento  em  processo  de  demolição  é  o bairro  de   Santa   Filomena,   no   município   da   Amadora,   cujo   terreno   foi   comprado   em   2007  por   um   Fundo   Imobiliário   do   Banco   Millenium   BCP,   portanto   são   claros   os   interesses  que  estão  por  trás  desta  acção  de renovação  e  gentrificação.     As   famílias   que   não   estão   abrangidas   pelos levantamentos   realizados   em   1993   –  porque   se   encontravam   a   trabalhar   ou   simplesmente   porque   se   instalaram   no   bairro  posteriormente   –   são despejadas   há   força,   sob   forte   aparato   policial,   e   não   têm  qualquer   alternativa.   As   famílias   que   estão   abrangidas   pelo   Programa   Especial   de Realojamento   são   realojadas   nos   bairros   de   realojamento   já   existentes.   Mas   como   é  que   o   município   consegue   casas   livres   nos   bairros   de   realojamento?   Através   do  aumento   brutal   das   rendas.   Nos   últimos   anos,   as   rendas   têm   aumentado   e   muitas  pessoas,  incapazes  de  as  pagar,  têm vindo  a  sair  e  a  dar  lugar  a  outros.     Tem   havido   algumas   manifestações   contra   este   e   outros   processos   idênticos,   mas  infelizmente  continuam  a avançar.  As  pessoas  são  ameaçadas  e  as  organizações  locais  tendem  a desmobilizar-­‐se.

(2) Novo Regime de Arrendamento Urbano

Relativamente   ao   Novo   Regime   de   Arrendamento   Urbano,   ele   acabou   por   ser   uma  das   imposições   da   Troika   durante   o   programa   de   ajustamento,   diz   o   governo.   Este  Novo  Regime  tem  como  objectivo  central  descongelar  os  contratos  anteriores  a  1990  e  facilitar  as  acções  de despejo. Para  o  efeito,  criou-­‐se  um  mecanismo  de  negociação  de   rendas   antigas,   permitindo   ao   proprietário   aumentar   a   renda   tendo   como   base   o  valor   patrimonial   do   imóvel,   e   um   Balcão   Nacional   de   Arrendamento   de   forma   a  tornar  estes  processos  e  os  despejos  mais  céleres.   A   lei   prevê   em   casos   específicos,   por   exemplo   de   pessoas   ou   reformados   que   comprovem   não   ter   capacidade   para   suportar   o   aumento   estipulado,   um   período   de   5  anos,  durante  os  quais  se  tem  no  fundo  de  arranjar  uma  alternativa.  Portanto,  o  real  impacto   desta   reforma   dar-­‐se-­‐á   ainda   daqui   a poucos   anos.   Entretanto,   bairros  inteiros   começam   a   sentir   desde   já   o   reflexo   desta   medida,   sobretudo   os   bairros  considerados  históricos,  onde a  reabilitação  urbana  vai  a  par  com  a  gentrificação.    Considerada   hoje   um   dos   melhores   destinos   turísticos   da   Europa,   Lisboa   tem   vivido  nos   últimos   anos   precisamente   em   função   da   indústria   turística,   que   vai   desde   a  chegada   diária   de   vários   paquetes   ao   Tejo   até   ao   afluxo   constante   de   estudantes  Erasmus,   passando   pela   reabilitação   de   velhos   imóveis   transformados   em   hostels   e  hotéis   de   charme.   Tudo   isto   tem   tido   forte   impacto   no   aumento   generalizado   das  rendas  em  algumas  zonas  da  cidade.     Paralelamente,  o  governo  criou  um  novo  mecanismo  -­‐ Golden  Visa  –  com  o  objectivo  de  atrair  investimento  estrangeiro.  Resumidamente,  este  mecanismo  permite  dar  um  visto   automático   de   residência   a   qualquer   cidadão   de   fora   da   UE   que   faça   um  investimento   em   Portugal   superior   a   500   mil   euros.   Obviamente   que   98%   dos  beneficiados optaram  não  por  investimento  dito  produtivo,  mas  sim  pela  aquisição  de  imóveis  o  que  só  veio  aumentar  a  especulação  imobiliária.

Caso  da  BOESG

A   BOESG   (Biblioteca   dos   Operários   e   Empregados   da   Sociedade   Geral)   é   uma   antiga  biblioteca   operária   fundada   oficialmente   em   1947   em   Lisboa.   O   objectivo   inicial   era  incentivar  a  leitura  e  o  conhecimento  entre  os  operários  e  empregados  da  Sociedade  Geral  de  Navegação.   Desde   a   sua   origem,   a   BOESG   reuniu   um   acervo   de   livros   que   ascende,   neste  momento,   a   cerca   de   6   mil.   Como   a   grande   maioria   deles   foi   acumulada   durante   o  fascismo,   podemos   dizer   que   muitos   representam   os   estragos   de   um   determinado  período   histórico.   Por   outro   lado,   podemos   encontrar   livros   que   propõem   ideias   e  soluções   para   ultrapassar   esses   mesmos   estragos   ou   as   suas   causas.   Não   só   para  aproveitar   e   disponibilizar   este   espólio   mas,   sobretudo,   para   lhe   dar   um   sentido   e  propósito,   a   BOESG   renasce   em   2010   com   um   novo   projecto,   tornando-­‐se   na  Biblioteca   Observatório   dos   Estragos   da   Sociedade   Globalizada   &   dos   Meios   Para   os  Ultrapassar.   Mantendo   o   incentivo   à   leitura e   ao   conhecimento,   junta-­‐se   a  observação  crítica  e  a  acção  sobre  a  alienação  política,  económica  e  técnica.  Os  livros   passaram   a   ser   organizados   em   secções,   que   representam   os   vários   estragos  produzidos   pela   actual   sociedade   globalizada   –   afectando   directamente   todos   os  seres   vivos   e o   meio   natural   –   com   o   propósito   de   os   catalogar,   estudar   e   arquivar.  Procuramos   uma   ligação   entre   os   estragos   e   os   meios   para   os   ultrapassar   através   da  actividade  crítica.   Desde   que   o   projecto   se   tornou   Biblioteca   Observatório   editou   6   brochuras   sobre  diversos   temas.   Também   propôs,   desenvolveu   e   concretizou   bastantes   e   variadas  actividades,  sobretudo  nestes  dois  últimos  anos.   Mas   todo   este   esforço   está   a   ser   posto   em   causa.   No   nosso   caso,   cujo   contrato   de  arrendamento  foi  celebrado  em  1960,  implicará  um  aumento  dos  actuais  81  para  707  euros e  sem  qualquer  garantia  de  permanência  no  espaço  após  5  anos.  Uma  situação  incomportável,  que  inviabilizará  a  continuação  do  projecto,  para  uma associação  sem  fins  lucrativos  e  que  não  quer  alimentar  esta  lógica.  Não  é  só  a  BOESG  que  se  depara  com   este   cenário.   Neste   momento,   quase   todos   os   arrendatários   sofrem   as  consequências  desta  lei,  que  mais  não  é  do  que  um  instrumento  ao  serviço  da  classe  dominante,   tornando   o   aumento   incontornável   e   o   despejo   facilitado,   remetendo  assim   as   necessidades   básicas,   o   acesso   a   espaços   de   convívio   ou   até   a   própria existência  para  última  instância.  Com  aumentos  de  renda  que  muitas  vezes  ascendem  aos   900%,   grande   parte   das   colectividades,   cooperativas   ou   associações   chegarão   ao  fim  da  sua  existência.  É,  de  facto,  mais  um  estrago  da  sociedade  globalizada.   Perante   esta   situação,   a   luta   da   BOESG   será   em   duas   frentes:   dilatar   ao   máximo   o   período   de   contestação   judicial   à   aplicação   da   nova   renda,   para   que   haja   espaço   e  tempo   para   nos   organizarmos   e   encontrarmos   alternativas,   mantendo   vivo   o  projecto;  ao  mesmo  tempo,  juntamente  com  outros  colectivos  e  população  em geral,  discutir  e  desenvolver  estratégias  de  oposição  à  nova  lei,  que  despoletem  e  incitem  a  vontade  de  analisar,  criticar  e,  por  fim,  atacar  esta  imensa rede  de  dominação.

The Right to the City, Urbanism and Anarchism: a Theoretical Approach

The  relation  between  anarchism and  urbanism  is  a  long  one.  Since  the  beginning,  that  anarchists   look   to   the   geographical   occupation   of   the   space, either   in   cities   or   in   the countryside,  as  an  important  step  towards  a  better  society,  an  anarchist  society.  And  urbanism   took   an   important   role   in   this   process.   Together   with   other   areas   of  intervention   –   like   syndicalism,   women   situation   and   education,   for   instance   –  anarchists  always thought  that  to  fight  for  an anarchist  urbanism  was  part  of  the  path  to  Anarchy.

Colin   Ward   wrote   that   “there   is   in   fact   a   stream   of   anarchist   contributions   to   urban thoughts   that   stretches   from   Kropotkin   to   Murray   Bookchin   historically,   and   from  John  Turner  to  the  International  Situationists  ideologically.”  In fact,  when  we  read  one  of   the   more   famous   Kropotkin books   –   “Fields,   Factories   and   Workshops”   –   we   must  agree  with  this  sentence.

However,   this   contribution   is   prior   to   Kropotkin   and   it   can   be   seen   already   in   the  Utopian   Socialists   like   William   Morris   or   Charles   Fourier. The   Fourier   concept   of   the  Phalanstères,   in   which   everything   was   programmed   to   seek   perfection,   maybe   to   much   programmed   in   my   opinion,   became   later   on   a   fundamental   source   that   inspired  many  comrades  to  create  communities  and  millieux  libres,  like  Colónia  Cecília  in  Brazil or  Aiglemont  in  France.  This  movement  became  so  important  that  Malatesta,  as  you  know,  reacted  negatively  to  it  arguing  with  the  isolation  of  these communities  and  comrades.

This   attraction   for   urbanism   by   anarchism   come   till   the   present   and   inside   this   new  wave   some   names   must   be emphasized:   Colin   Ward,   Paul   Goodman   and   the   Street  Farm  Group.   Colin   Ward   was   an   important   defender   of   the   do   it   yourself   movement, in   which  population   and   architects   took   their   problems   in   hands   resolving   them   without   any  State  assistance.   Paul   Goodman   books   “Growing   up   Absurd”   (1960)   and   especially   “Communitas”  (1947)   for   sure   “added   depth   and   rigour   to   an   anarchist   critique   of   the   city”,   as  written   by   Richard   White   in   “Governance   from   below:   anarchism   and   a  “postneoliberal”  urbanism”.   More   recently,   in   the   70’s,   the   Street   Farm   Group (3   anarchist   architects   called   Graham   Caine,   Peter   Crump   and   Bruce   Haggart)   published   an   underground   paper  called   Street   Farm.   They   practice   the   so-­‐called   direct action   going   from   university   to  university,   city   to   city,   showing   their   works   and   proposals   that   could   include   already  ecological  houses.   The legacy  of  Goodman,  Ward  and  the  Street  Farm  Group  shows  very  clearly  that  the  critical   idea   that   anarchists   are   only negative   and   destructive   in   their   approach   is  completely  wrong.     And   more   than   ever,   when   cities   become   the   extreme   capitalist   product   and conceptional   idea,   an   anarchist   architecture   and   urbanism   are   needed   to  counterbalance  this  and  to  give  alternatives  for  those  that  want  to  live  in cities.  In  this  globalised capitalist  society,  the  growing  city  –  the  growing  urbanisation  movement  –  became  what  capitalism  wants  more.  In  fact,  the modern  huge  human concentration  in   cities   is   a   direct   result   of   the   capitalist   production   system.   Concentrating   people   –  seen   as   producers   and   consumers   –   resources,   technology   and   even   productions,   in  or  close  to  cities,  is  a  way  to  reduce  production  and  logistic  costs  (although  this cost  is  not  as relevant  as  it  was  a  few  decades  ago)  and  especially  is  a  way  to  manipulate  and  control  more  easily  millions  of  persons.   I  know  that the  anarchist revolution  will  not  be  tomorrow.  However,  we  must  think  in  the   future.   How   can   we   deal   with   cities   with   millions   of   inhabitants?   How   can anarchists   assure   the   management   of   cities   like   São   Paulo,   where   many   workers  spend   so   many   hours   coming   from   home   to   work   that   their   option   is   to   come   on  Monday  and  to  return  only  on  Friday  because  it’s  impossible  for  them  –  either  in  time  and   cost   –   to   go every   night to   sleep   at   home?   How   can   anarchist   assure   the   so  famous  Right  to  the  City  and,  at  the  same  time,  to  fight  for  more  healthy  and rational  cities? The  traditional  answer  that  “each  community  will  deal  with  the  problem  when  we  will  get  there”  is  not  acceptable  by  “normal”  people any  more.  Marxists give  answers;  neo  liberals   give   answers;   so   anarchists   must   do   the   same.   Obviously   we   are   not  vanguards  to  define  the  path, but  it’s  time  to present  people  with  clear  proposals  for   the future.

BIENNALE SESSIONS 2016

Escuela Moderna del Raval per BIENNALE SESSIONS 2016
P.I.G.S. di Escuela Moderna et al;
Spazi d'Eccezione di Escuela Moderna e S.a.L.E. Docks
Due progetti tra arte e militanza.

"D'où venons-nous? Que sommes-nous ? Où allons-nous?": dal...

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AVVISO AI COMPAGNI

!!AVVISO AI COMPAGNI!!

Il 19 febbraio 2016 si inaugura a Vitoria, Spagna c/o Artium, una mostra detta pigs. Quali organizzatori di PIGS 2015, realizzata a Atene, Roma Barcellona e Lisbona, avvisiamo che il titolo trae in...

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Escuela Moderna per HipoTesis

"HipoTesis es una plataforma editorial creada en 2009 por Francisco G. Triviño, Fernando Nieto y Katerina Psegiannaki de carácter independiente, no estando por tanto afiliada ni vinculada económicamente...

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